Receamos a violência urbana, a ameaça das guerras, novas epidemias de vírus antigos ou de bactérias mortais cultivados em laboratórios, as mudanças climáticas e perda da biodiversidade, e muito mais em uma lista que preocupa a humanidade.
Mas um dos perigos mais iminentes está no prato que você come.
Todos nós ouvimos com frequência denúncias do uso de venenos proibidos utilizados no Brasil como "defensivos agrícolas". Defensivos para pragas, mas mortais para o ser humano, animais e solo.
Mas a maior crueldade no processo de contaminação do solo e das plantações do chamado agronegócio está no fato de que não há como evitar a maior parte desses produtos consumidos. Arroz, feijão, milho (a maioria dos grãos de grande cultivo), legumes, verduras, frutas e, pasmem, as carnes!
Sim, vacas e frangos podem transferir resíduos de agrotóxicos para carne, leite, ovos...a bioacumulação de venenos na ração ou diretamente no animal significa que os agrotóxicos se acumulam no tecido adiposo da vaca ou das aves. Vai comer peixe?
No caso de peixes o problema não são agrotóxicos ou anabolizantes, mas mercúrio, que corre farto até em rios da Amazônia graças a décadas de garimpo clandestino em terras indígenas. Mas não apenas por lá: um estudo publicado na revista Food and Chemical Toxicology, no ano passado, mostrou resultados de pesquisas que apontaram contaminaçao por mercurio em peixes vendidos no Rio de Janeiro.
Ai você pensa: bem, mas existem os peixes "cultivados" em criadouros. Pois bem, estudos mostraram a presença de "salmonella spp" em criações de peixes nativos. E aquele salmão maravilhoso de criadouros aparentemente saudáveis? Peixes podem acumular metais como chumbo, cromo, arsênico se as rações estiverem contaminadas.
Além disso podem desenvolver doenças fúngicas com a má qualidade da água ou alta densidade. E existe ainda o risco do uso excessivo medicamentos para combater parasitas, como no caso também do salmão.
Como vemos o seu sashimi e sushi podem ser tão perigosos como o bife de vaca ou o filé de frango empanado.
Tudo está contaminado? Não necessariamente. O problema é que o consumidor não tem como saber com certeza quando um alimento está contaminado.
A verdade é que o alimento seguro, como orgânicos ou o salmão e outros peixes selvagens ( vindos de seu habitat natural) é muito caro.
O sistema empregado no cultivo do alimento em massa, pelos grande proprietários rurais e fabricantes de derivados, criou a partir da metade do século XX uma dependência de produtos processados difícil de ser rompida.
Mas todo esse processamento e uso de agrotóxicos proibidos em outros países, mas aqui aplicados pelo Agro com forte defesa da bancada ruralista no Congresso, pode ser controlado, desde que haja exigência popular para que isso aconteça.
Colocar na Câmara e no Senado Federal pessoas que vão legislar a favor das grandes corporações que dominam plantio e comércio dos alimentos pensando apenas no lucro, em detrimento da qualidade do alimento, é uma sentença de morte lenta. Afinal, doenças interessam a grandes corporações estrangeiras da indústria de medicamentos, laboratórios, planos de saúde e redes hospitalares privadas.




